Comentando o Gayzismo

 
 

Sakamoto e Dimenstein juntinhos lá (na Home do UOL) e aqui no Blog

 

 

 
 

Que vergonha de ser hétero

Escrevi um longo texto argumentando porque considerava uma provocação ridícula e descabida a aprovação pela Câmara Municipal de São Paulo do projeto de lei 294/2005, que institui o Dia do Orgulho Heterossexual. A proposta do vereador Carlos Apolinário (DEM), que depende agora da sanção do prefeito Gilberto Kassab, é claramente uma reação à crescente importância da Parada Gay e seus milhões, mas também ao debate sobre a garantia dos direitos fundamentais dos homossexuais – cada vez mais público, não graças a Deus. A data seria no terceiro domingo de dezembro, perto do Natal.

No texto que havia escrito para hoje, tratei do perigo representado por uma maioria (com direitos assegurados) que começa a se manifestar de forma organizada diante da luta de uma minoria por seus direitos, reivindicando dessa forma a manutenção do espaço que já é seu – conquistado por violência, a ferro, a fogo e na base da Inquisição. Mesmo que a conquista de direitos pela minoria não signifique redução de direitos da maioria mas, apenas, necessidade de mais tolerância por parte desta. Lembrando que “maioria” e “minoria” não são uma questão numérica, mas sim de quanto um grupo consegue efetivar sua cidadania.

Mas, aí, desencanei e joguei o texto fora quando li que, de acordo com o projeto, a data servirá para “conscientizar e estimular a população a resguardar a moral e os bons costumes”.

Diante disso, só há algo a dizer: que vergonha de ser hétero.

Leonardo Sakamoto

 

Comento

Sakamoto, na linha Dimenstein de não argumentar e dizer as verdades absolutas, proclama que o dia do orgulho heterossexual “é claramente uma reação a crescente importância da Parada Gay e seus milhões, mas também sobre a garantia dos direitos fundamentais dos homossexuais”. Por que? Ele não disse. Importância da Parada Gay? Que importância? Ele não disse. Importância pra quem? Ele não disse. Importância onde? Ele não disse. Das duas uma: ou ele acredita que sua opinião está acima do bem e do mal e não será contestada ou ele acredita que seus leitores são débeis mentais incapazes de um raciocínio minimamente lógico. Eu teria vergonha é de escrever um não-texto como este de Sakamoto.

Fonte: http://blogdosakamoto.uol.com.br/2011/08/03/que-vergonha-de-ser-hetero/

 

 
 

Dia do Orgulho dos Héteros e dos Corintianos

 

A proposta aprovada na Câmara dos Vereadores paulistana de criação do Dia do Orgulho Heterossexual, em nome da defesa da "moral e dos bons costumes", é mais um preconceito do que simplesmente uma tolice. E ainda existe quem defenda esse tipo de bobagem. Se tivessem aprovado o Dia do Orgulho dos Corintianos teria a mesma relevância cívica.

Pessoas preconceituosas e atrasadas não sabem conviver com a diferença. Assim, não percebem o que significa, no cotidiano, ser minoria e discriminado. Daí a necessidade de ir contra a corrente e valorizar o direito de ser diferente os judeus, mulheres, nordestinos, islâmicos, negros, portadores de deficiência, evangélicos, católicos, quando são, em determinadas sociedades, minorias e discriminados.

Heterossexual não tem problema de autoestima ou de perseguição.

Tolices desse tipo, patrocinadas por um político que se diz evangélico, apenas reforçam a imagem de intolerância de lideranças evangélicas.

*

Parece até ironia falar em defesa da moral e dos bons costumes na Câmara dos Vereadores.

Gilberto Dimenstein

Comento

Dimenstein não diz por que o tal dia do orgulho heterossexual “é mais um preconceito do que simplesmente uma tolice”. Cabe ao leitor completar a lacuna estrondosa deixada na argumentação. O autor investe pesado na cumplicidade do leitor com seu ponto de vista. Será que quem não acompanha Dimenstein nas suas opiniões serão “pessoas preconceituosas e atrasadas” que “não sabem conviver com a diferença”? E Dimenstein sabe? Ele sabe que “heterossexual não tem problema de autoestima ou de perseguição” Dimenstein conhece todos os heterossexuais do mundo e conhece também seus problemas e conhece também os problemas que eles não tem. Dimenstein, o que é não ter problema de perseguição? É não ser paranóico?

Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/colunas/gilbertodimenstein/953689-dia-do-orgulho-dos-heteros-e-dos-corintianos.shtml

 

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